quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tautograma em A

  A Anabela amava agora aquele antigo amigo. Adorava aquela aparência abençoada, a animação abismal, a amabilidade angelical, algo adolescente. Aquela alegria atraía-a ardentemente. Abandonava-se, aberta àqueles abraços acidentais. Admitia arrojadamente arranjar alguém, almejava, ansiava. Agora, astutamente, adaptava-se, aceitava, atraía, agradava. A adrenalina acendia-lhe a alma abnegada, apimentava-lhe arrojadamente a árida atuação anual, afastando-a ante aquele acutilante abatimento, aquecia-lhe ardentemente a ambição, arrancando-a ardilosamente àquele arrefecimento, àquela aspiração asfixiante – assentar, assegurar as aulas, assumir atividades arrojadas, atingir avaliações auspiciosas, aumentos astronómicos… 
  Agradecia a atenção, abastecia-lhe a afetividade, aconchegava-a, acendendo-lhe a adulação adocicada. Adorava as artimanhas aprendidas artisticamente, aplicadas adequadamente. Audácia? Arrebatamento? Atração? Aventura? 
  Apenas aquele adorável amigo adormecido, Anabela amplamente abalada, acanhada ante alusões a alianças alucinantes, alegadas algemas afetivas, afastou-se, admitindo adversidades aparentes, abomináveis abismos abissais. Apavorou-se, atrapalhada. Almejara amor, ambicionara adoração apenas, apegara-se ao apelo amoroso, agora alguém acrescentara alicerces, amarras, aliciantes ainda.   
  Adensando a amargura, afligiu-se, ajeitou adereços, as almofadas, aperfeiçoou acessórios, as alças altas, arranjou algum agasalho. Arranjou-se, alindou-se, aprimorou-se, a amiga aprovaria a apresentação aprofundada, apropriada. Ágil, ativa, arrasadora abandonou aposentos, a alcova, afastando-se.
 Automaticamente, atravessou azinhagas, avenidas, acompanhando adultos alegres, adolescentes animados, agitados até à Associação Académica Alemã. 
 Após almoçar, Anabela afastou-se alheada. Avançou atenta, ansiosa até ao átrio amplo, alongado. Aguardou airosa, agitada apenas, as atividades agendadas antecipadamente. A algazarra absorvia a assistência alvoraçada. 
 Além, abril apressado, adverso, agressivo, apresentava ainda alguns aguaceiros. Abril atirava ativamente ar, água às alturas, acelerando a atmosfera. Acabava apenas, afirmava-se absoluto, amadurecido, agoirento. 
 Acompanhando a Alice, amiga ancestral, andou, atravessou avenidas, aproximou-se ao aquário. Anoitecia, abeirou-se acalorada às acácias, às açucenas. Atrás algumas alamedas apresentavam árvores altas, alguns álamos acompanhando alabastros, acrílicos. Algures, afiguravam-se as arribas agrestes, alaranjadas. Alecrim, alfazema acrescentavam aromas adocicados. Arriscou apreciar a abundante água azul, aonde afluíam animais – as alforrecas acinzentadas, aniladas, as anémonas amarelas, as algas avermelhadas. 
 Altifalantes anónimos antecipavam alaridos, apregoavam acontecimentos, almejando ambientar artificialmente a antecâmara anexa ao auditório. Apresentavam, anunciando alguma antestreia anual, alucinante – algo arrebatador aconteceria. Apenas alguma antevisão, anti-heróis, animais antropomórficos, aparelhos aéreos… agradaria àquele aglomerado apinhado. Aplausos, amplos aplausos apoiam a animação. 
 Após apreciarem anfiteatros, armazéns, alpendres… ambas as amigas assombraram-se, assustaram-se, admiradas, ao averiguarem a adiantada alvorada a acordar abafada. A alva aproximava-se, afugentando algo alegadamente agressivo. Amainava a amálgama amarga, ameaçadora. Amanhecer acontecia acolá, acima, afastando alucinações anteriores. Acomodava-se, agigantava-se. 
 Aclarava, a manhã acordava. 
 - Adeus – acenou aliviada. 
 - Adeus – acudiu a amiga. 

 Elsa M.


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